CAPÍTULO XII
PRISÃO PERPÉTUA OU PENA DE MORTE?
Até que ponto alguém,
que cometeu as maiores atrocidades que um ser humano jamais cometeria, como homicídios
triplamente qualificados, sequestros, estupros e outros crimes onde são
constatados quadros de crueldade extrema, pode receber direito à liberdade por
bom comportamento, fundamentado na hipótese de que esses criminosos tem um
"encontro com Deus" e se tornam "evangélicos"? Se Deus
perdoa, será que agimos errado quando desejamos que esses espécimes permaneçam
enclausurados para nossa maior segurança?
Sei que pode ser absurdo para quem
prega o amor e o perdão tocar nesse tipo de assunto. Oferecer a outra face é a
sugestão de Jesus. Pois bem. Analisemos a
seguinte questão. Alguém que tem a coragem, digo a covardia, de pegar uma
criança de 5 anos de idade, raptá-la, violentar a inocente e indefesa
garotinha, sodomizá-la e depois estrangular e retirar-lhe a vida,
impiedosamente, tem condições de ser regenerado e viver como qualquer cidadão?
Ah!
Mas você pode afirmar: Deus apaga o passado, pastor! Sim, ele apaga. E que
maravilha esse poder regenerador. No que tange às infinitas misericórdias do
Senhor, o céu pode ainda ser morada de um assassino contumaz, desde que este se
arrependa de seus pecados e se converta.
Não ao cristianismo religioso, mas ao propósito de vida cristão. Mudança.
O Espírito Santo tem o poder de transformar a mais vil das criaturas num
verdadeiro servo de Deus. Isso é inquestionável. Até mesmo serial killers podem
ser salvos e viver uma experiência maravilhosa com o Senhor.
Agora me respondam: por
que, pelo simples fato de alguém com essas características se afirmar cristão,
precisamos orar para que saia da cadeia e viva em liberdade? Se Deus lança
nossos pecados no mar do esquecimento e coloca a placa “proibido pescar”, a
justiça deve também absolver esses criminosos “recuperados” e os devolver ao
convívio da sociedade? Peço perdão, meus amigos, mas não consigo ser falso. Sinceramente,
desejo o contrário.
Desejo, do fundo do
coração, que pessoas desse naipe literalmente mofem na cadeia, convertidos ou
não. Onde está o amor, pastor? Está exatamente aí. O amor também está presente
na correção, na justiça. Os defensores dos direitos humanos pensam por acaso nas
prisões perpétuas que os pais das inúmeras vítimas vão ter que enfrentar todo
santo dia, sem conseguir dormir, sem conseguir comer, sem ter forças para
viver?
Sempre aparece algum testemunho de homicidas,
bruxos, estupradores, pedófilos, posando de santos e se intitulando pastores, missionários
ou conferencistas. Por sinal, ser um conferencista traz mais status, uma intelectualidade,
tal como os PHDs que palestram em congressos científicos. Não se sabe nem mesmo
onde congregam, mas já são convidados como porta-vozes do evangelho,
personificações da metamorfose espiritual. Os antes degenerados sobem aos
púlpitos e vomitam seus contos, muitas vezes fictícios ou hiperbólicos, sem
apresentar provas de seus indecorosos feitos.
Lembro-me de um ex
bruxo que afirmava ter atirado no peito do próprio filho com uma escopeta, sem
que o matasse, nem que fosse preso por isso. Eu chamaria a polícia para levá-lo
como réu confesso. O mesmo feiticeiro, no mesmo testemunho, disse ter injetado
sangue de bode nas veias. Ora, se eu sofrer um acidente e precisar de uma
transfusão de sangue e utilizarem um sangue de tipo não compatível com o meu
tipo sanguíneo, minhas hemácias serão aglutinadas, destruídas e rapidamente
estarei morto. Imaginem agora se for sangue de bode. Se eu não consigo
acreditar nisso, vou crer em alguma outra palavra dita por uma figura dessa
laia?
Desculpem
aos que creem, mas eu não consigo. Onde está o laudo médico? Outro dia, um
apareceu dizendo que tinha morrido e ressuscitado e contando seu testemunho nas
igrejas. Mostrou o atestado de óbito? Não. Hora da morte com assinatura de um
médico? Não. Não adianta jogar conversa fora. Usar as igrejas como oportunidade
de negócios, sem pensar na dor que essas criaturas geraram às famílias é no
mínimo irresponsável.
Coloco-me no lugar da
mãe que vê sua filha morta ao ser jogada de um edifício, pelo simples fato da
madrasta não aguentar o choro compulsivo da criança. Ponho-me no lugar de um
pai, que vê seu filho ser arrastado pelo asfalto (que Deus nos proteja),
enquanto o seu carro tomado de assalto é acelerado pelas ruas, não importando quem
está gritando do lado de fora. Ouço os gritos do menino, as batidas da sua
pequena cabeça no chão quente, dos ossos sendo quebrados na rota de fuga de
marginais. Você pode ouvir, meu irmão? Pode ouvir os gritos da menina que é
tirada do parquinho de diversões por um maníaco, que lhe oferecera um sorvete e
ao invés de refrescar e adoçar a boca da inocente, usa uma corda para
amarrá-la, tira-lhe as roupas, usando a pequenina blusa como mordaça e acaba
com a curta vida daquele ingênuo ser. Não tem como ouvir os gritos, não é?
Estamos extasiados com os gritos de glórias a Deus que esse estuprador
convertido brada vestido com seu paletó fino e seus sapatos de couro de cobra.
Grito! Meu grito é de
revolta. Enquanto as famílias lamentam perpetuamente a perda do ente querido,
aqueles que causaram todo o sofrimento viajam de avião pelo mundo inteiro,
contando suas desgraçadas façanhas e como tiveram suas vidas transformadas. É
triste. Por que não prisão perpétua para eles? Ou não seria melhor a pena de
morte para os que não tem pena diante da morte?
Que absurdo, pastor?
Você é a favor da pena de morte? Claro que não. Contudo, vejamos um caso.
Imagine que você deixa sua filha em casa, com a sua esposa e sai ao trabalho.
Quando retorna do serviço, encontra sua casa com a porta da frente aberta e
ouve um certo barulho no quarto. Parece um grunhido, como se alguém tentasse
dizer algo, mas o som está abafado. Você se aproxima e percebe que na verdade o
barulho não vem do quarto dos fundos, mas da cozinha. Sorrateiramente, você
passa pela sala e vê uma cena estarrecedora. Sua esposa está caída, agonizando
no canto da parede, e sua filhinha está sendo violentada por um homem. Ele está
deitado sobre o corpo de sua filha. Distraído com o abuso sexual que está a cometer,
o monstro não percebe sua chegada. Logo, você, querido irmão, percebe que há
uma faca de cortar carne em cima da mesa. O que você faria?
·
Opção A: vira
de costas, não pega a faca, vai à rua, liga para a polícia, espera calmamente a
chegada de uma viatura no local e, enquanto isso, dobra os joelhos e faz uma
oração para que Deus salve aquela pessoa que provavelmente matará sua mulher e
filha?
·
Opção B: pega
a faca e, para defender sua família, pula sobre o estuprador e enfia firmemente
a lâmina nas costas do desgraçado, até que morra, sem piedade alguma, salvando
a vida das duas?
Quero dizer, querido
leitor, que eu escolheria sem titubear a segunda opção. Nesse caso, estaria eu
sendo a favor da pena de morte? A realidade é que todos precisam de Deus.
Precisam. E muito. E Deus ama, até mesmo os odiáveis. É a graça. Favor
imerecido. Por mais que inconscientemente o ódio invada nossos corações,
devemos amar também. Entretanto, se esses criminosos querem mudar, mudem por
trás das grades. Cumpram suas penas, mesmo que no Brasil a impunidade seja
institucionalizada. Não peçam para escapar da prisão, para Deus abrir as
cadeias, pois é um absurdo querer se comparar com Paulo e Silas.
Que eles mostrem o
evangelho para os outros presos. Preguem para os familiares que os vão visitar.
Paguem pelos crimes que cometeram. Colham aquilo que plantaram. E se um dia,
depois de cumprirem a pena em sua totalidade, saírem da prisão, que tentem
reparar os erros cometidos. Que façam como Zaqueu, pois a salvação não entrou
na vida daquele homem baixinho quando desceu da árvore ou preparou um jantar
pra Jesus, mas quando prometeu restituir o que tinha roubado. Que eles não
queiram fazer das suas vidas pregressas um espetáculo de fé, mas que sintam
vergonha do passado. No céu, o preço já foi pago pelo sangue de Jesus. Aqui na
terra, ainda há sangue clamando por justiça. Que a justiça possa ouvir esse
clamor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário